Maternidade, Vida fora do Brasil

VIAJANDO COM BEBÊS DE ATÉ DOIS ANOS

Queridos pais e mães. Esse tema está em constante ebulição na minha vida, afinal viver fora do Brasil significa uma coisa: para estar aí (ou lá se você está aqui), é preciso enfrentar horas e horas de jornada aérea com um ser humano que não faz a menor ideia do que se passa naqueles cubículos nos quais nos sentamos. Devo ter passado por inúmeras fases de ansiedade – calafrios, noites anteriores sem dormir, geladeira atacada sem previsões, loucuras de check list e intermináveis pesquisas na Internet de como fazer a minha vida, nossa vida, um pouco mais digna de se viver antes, durante e depois de uma viagem de avião com crianças.

Depois de 4 voos internacionais e 6 domésticos, eu acho que posso falar um pouco sobre o que me ajudou nessa missão que é existir em menos de um metro quadrado com um bebê. Por horas.

Como meu filho tem menos de 2 anos, minhas sugestões somente alcançam a faixa etária dele. Vou separar por blocos de idade. Sem mais delongas, que venha o manual de sobrevivência:

        1. DE ZERO A SEIS MESES

O ideal é aguardar o terceiro mês de vida para viajar devido às vacinas básicas e sistema imunológico em formação, mas sabemos que o ideal mesmo, quando se tem um bebê, é fazer o possível com o que se tem. Se você precisa viajar antes disso, tudo bem.

Na hora de se comprar as passagens, sempre, sempre tente reservar um assento do corredor, você vai precisar levantar várias vezes para trocar fralda ou confortar e ficar pedindo para os outros levantarem só irá somar na sua lista de incômodos. Ligue para a cia aérea e pergunte se eles oferecem berço no avião. Várias têm e isso vai te trazer descanso. Se você está viajando em dupla, é uma boa hora para a trégua dos pais, depois de vários rodízios.

Tente orquestrar os horários de mamada, seja leite materno ou fórmula, enquanto o avião estiver subindo e na hora de descer. A mudança brusca de pressão causa muito desconforto e eles choram bastante. Se não der, use uma chupeta. Se não usar chupeta, ofereça qualquer sucção possível, até um mordedor de dente. Nessa idade, apesar de eles chorarem com mais frequência, é um tanto mais fácil o paranauê todo porque 1. ainda estão leves (acredite!) e 2. eles não estão loucos escalando para sair do assento.

Na hora que o choro apertar, não tem outro jeito, é levantar e ninar. Leve um canguru ou sling para ajudar aliviar o braço não só dentro do avião, mas em toda a logística aeroporto e no destino da viagem.

Se você for para um lugar onde haverá jet lag, é possível abordar a situação de duas maneiras:

  • você começa a trabalhar na transição do horário ainda em casa, durante os dias anteriores à viagem (vai depender do número de horas de diferença), alterando 20 minutos cada dia, para frente do relógio ou para trás;
  • você vai com fé e vive como dá

Eu sempre escolhi a segunda opção, já há muitas demandas na semana anterior para eu ter que lidar com mudança de horário do bebê. Mas essa é a minha opção. O que eu faço é nos encaixar no horário do destino ao chegar lá, um pouco cada dia. Crianças sempre nos surpreendem e às vezes se adaptam mais rápido que nós.

Essas são as principais dicas do que fazer com o bebê dentro do avião. Eu vou discorrer sobre as malas e pós-viagem. Agora é relaxar e pensar que você vai dar conta, porque sempre damos!

        2. DE SEIS MESES A UM ANO

Aqui já entramos em outra esfera, colegas. Seu querido bebezote começou a ganhar ares do mundo e está louco para explorar.

Mantenha as sugestões acima e acrescente entretenimento e comida. Uma estratégia é esconder os brinquedos preferidos (e compactos) alguns dias antes e oferecê-los no avião. Adesivos também operam bem na situação. Historinhas, esconde-esconde e onde mais a criatividade te levar. Que as fadas da criatividade e da paciência estejam sempre olhando por você.

Já no caso das comidas, você pode levar tudo pronto ou ligar para cia aérea e pedir papinhas. Eu sinceramente prefiro levar tudo, de preferência as comidas certeiras e preferidas. Avião não é hora de BLW e nem de introdução de novos sabores. A não ser que você esteja bem, BEM disposta. Para a fórmula, leve as quantidades exatas em potinhos menores e guarde a lata na mala despachada. Existem aqueles que já vêm prontos com os separadores.

Durante todo o primeiro ano, para viagens longas, eu prefiro os voos noturnos porque coincidem com o horário de sono. Nos voos mais curtos e diurnos, tento pegar aqueles que vão se encaixar com as sonecas. Mas de novo, sabemos que o ideal às vezes custa mais caro. O importante é manter seu bebê limpo e bem alimentado durante toda a trajetória. O restante se ajeita.

        3. DE UM A DOIS ANOS

Até agora, essa foi a fase mais desafiadora pois estão pesados e muito ativos, e ainda temos um só assento, a não ser que você queira comprar um extra para garantir. Tenha muita paciência e procure redirecionar a atenção. De novo, avião não é a hora mais propícia para regras inquebráveis. Isso não quer dizer que você vai deixar o seu filho chutar a cadeira da frente, mas que abrir mão para comidas não tão saudáveis é ok, ceder um pouco mais é ok, celular é ok, o que você quiser considerar ok é ok. A viagem em si já é uma carga e tanta. Evite conflitos com seu filho e procure dar atenção e carinho, pois criança atendida é, na maioria das vezes, uma criança calma. Considere levar um carrinho menor para facilitar as andanças até a porta do avião. Saindo do voo também vai ajudar muito, principalmente se você tiver que passar tempo em alguma fila de imigração. Até um ano, eu usei apenas o canguru pois achava mais prático, mas o carrinho está aí para ajudar em qualquer momento.

MALAS

Chegou a hora dela, da praticidade. Em toda e qualquer decisão, procure pensar na praticidade. Eu sei que é lindo e tentador esbanjar looks fofos e laços de cabelo por aí, mas é preciso levar em conta os incontáveis pequenos fatores e possíveis desvios, e nós só temos DOIS BRAÇOS. Faça bom uso deles.

  • Mala de mão: aqui é preciso pensar da seguinte forma – se você fosse para uma ilha, o que levaria? Farmacinha ambulante (remédio para cólica, paracetamol, etc), duas trocas de roupa para o bebê, uma para você (confie – leite azeda, comidas se esparramam), documentos, carteirinha de vacinação, autorização de viagem com menor se for voo internacional saindo do Brasil com apenas um dos pais, brinquedoteca compacta itinerante e um cobertor. Leve tudo numa mochila, esqueça bolsas grandes de um ombro só. Tenha no máximo uma bolsa pequena transversal para os seus itens de fácil acesso – celular e carteira, fone de ouvido, essas coisas.
  •  Mala despachada: de novo, eu prefiro ser compacta. Levo uma mala média de 23kg com minhas roupas e as do meu filho. Se for inverno, dá para aumentar a cota. As roupas do meu filho são organizadas da seguinte maneira: levo, em média, oito trocas de roupas que vamos lavando e usando de novo. Se for bebezinho, dá para levar mais até porque suja mais. Guardo tudo dobrado dentro de um saco grande desses de lavanderia, sabe? Aqueles de lavar roupas delicadas. Bem glamouroso. Assim elas ficam dobradinhas e sempre no mesmo espaço, nada se perde. A não ser meias, meias sempre se perdem. Levo outro saco, do mesmo tamanho e cor diferente, para as roupas sujas. Et voilà!

PÓS-VIAGEM

Se você pensa que acabou, pense de novo. Os voos noturnos são os mais difíceis no pós pelos simples fato de que eu duvido que você pregou os olhos. Tente não se complicar na chegada. Tenha seu transporte já em cabeça e se possível, tenha um primeiro lugar de hospedagem próximo. Só para chegar. Assim, na primeira hora que seu baby vier com aquela soneca marota, você esqueça que o resto do mundo existe e vá dormir. Se você está viajando sozinha(o), se ancore nas horas intercaladas de possível sono. Se tiver suporte no seu destino (vovós de plantão), a sanidade agradece. Lembre-se também de levar alguma comidinha para as primeiras horas de chegada, ou embale as do avião para você não precisar sair correndo para fazer supermercado sabe-se lá aonde.

EXTRAS

Algumas pequenas técnicas que me ajudam: imediatamente ao entrar no avião, lançar olhos de Jedai sobre todos os assentos, procurando alguma fileira um pouco mais vaga. Já aconteceu de eu ter uma fileira inteira para mim e o Luca, ele dormiu à beça. E eu tentei à beça. Haha. Outra dica, até os 8 meses, levava uma almofada de amamentação comigo. Ele dormia em cima dela e não pesava tanto nos meus braços. Quando eu tinha um assento vago ao lado, ele também ficava sentadinho com o suporte da almofada e todo feliz! Eu não uso a de meia-lua. A almofada que mais me ajudou no primeiro ano todo foi a My Brest Friend Pillow, há uma versão inflável para viagens inclusive. Se você não tiver como comprar a tempo no Brasil, leve a de meia-lua mesmo, já é ajuda. Ah, na hora do jantar, peça uma taça de vinho. O sono vem mais rápido se você tiver a chance de abraçá-lo. 😉

 

Há inúmeros motivos para desistir e pensar que tudo vai dar muito trabalho, porque vai dar MESMO. Mas há um, um só motivo, que nos puxa durante toda a jornada: explorar o mundo com os seus filhos. Eles não vão lembrar, mas você sim. Você vai saber, exatamente, quando os minutos pararem ao redor daquelas pupilas dilatadas observando o novo, vivo e presente.

Pois é como ganhar duas vezes, viajar e ainda ver o mundo sob o olhar de uma criança.

 

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